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A Mão Invisível e a Mão Visível: O Encontro entre a Economia e a Ética Judaica
Coles
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A Mão Invisível e a Mão Visível: O Encontro entre a Economia e a Ética Judaica in Ottawa, ON
By None
Current price: $8.29
Original price: $9.50


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Em hebraico, economia se diz kalkalah, palavra cuja raiz remete ao verbo kilkel, que significa sustentar, manter, nutrir. Em português, a palavra tem outra genealogia, igualmente reveladora, pois vem do grego oikonomia, literalmente as regras da casa. Não deveria, portanto, causar surpresa perceber que as escrituras judaicas, do Tanach (a Bíbila) à Mishná, do Talmud aos códigos posteriores, se ocupem tão intensamente desse tema. Afinal, o judaísmo é mais do que uma religião. É uma cultura, uma civilização, um modo de estar no mundo, e como tal precisa oferecer diretrizes sobre como sustentar a vida e cuidar das nossas casas, entendidas tanto em sentido estrito quanto como a casa maior que é a comunidade. A ciência econômica, na forma sistematizada como a conhecemos hoje, é recente. Tem pouco mais de dois séculos desde que Adam Smith publicou A Riqueza das Nações. As questões que ela procura responder, no entanto, aquelas que envolvem pessoas, trocas e riquezas, escassez e abundância, cooperação e conflito, existem desde os primórdios da história humana. Eu particularmente acho extremamente interessante constatar como os dilemas com os quais lidamos hoje, quando discutimos seleção adversa em um mercado de seguros ou o problema do carona em um acordo climático, já apareciam, com outra linguagem e outras vestimentas, nas páginas do Talmud e nas leis da Torá. É nessa ponte que Fabio se detém neste livro, e o faz com sagacidade e sensibilidade. Ao colocar lado a lado conceitos modernos da ciência econômica e a sabedoria milenar judaica, ele nos lembra, ao mesmo tempo, duas coisas importantes. A primeira é que a natureza humana permaneceu essencialmente a mesma desde a Criação, e que as perguntas fundamentais sobre justiça, confiança, tempo e valor são verdadeiramente universais. A segunda é que tanto a economia quanto a tradição judaica, cada qual à sua maneira, tratam da mesma matéria-prima: a vida humana em comunidade. Ao percorrer os capítulos deste livro, o leitor terá também a oportunidade de exercer aquilo que é, talvez, uma das práticas mais características da cultura judaica, a de debater com a escritura. A palavra hebraica Israel significa “aquele que duelou com Deus”, e o livro do Gênesis nos conta que é desse embate com o divino que nasce o próprio povo. Estudar os textos judaicos nunca foi um exercício de aceitação passiva, mas sempre um diálogo vivo, um debate que se desdobra através das gerações. Fabio abre, nessas páginas, mais uma oportunidade para esse encontro, colocando textos antigos em conversa com ideias contemporâneas e convidando o leitor a participar ativamente desse diálogo
Em hebraico, economia se diz kalkalah, palavra cuja raiz remete ao verbo kilkel, que significa sustentar, manter, nutrir. Em português, a palavra tem outra genealogia, igualmente reveladora, pois vem do grego oikonomia, literalmente as regras da casa. Não deveria, portanto, causar surpresa perceber que as escrituras judaicas, do Tanach (a Bíbila) à Mishná, do Talmud aos códigos posteriores, se ocupem tão intensamente desse tema. Afinal, o judaísmo é mais do que uma religião. É uma cultura, uma civilização, um modo de estar no mundo, e como tal precisa oferecer diretrizes sobre como sustentar a vida e cuidar das nossas casas, entendidas tanto em sentido estrito quanto como a casa maior que é a comunidade. A ciência econômica, na forma sistematizada como a conhecemos hoje, é recente. Tem pouco mais de dois séculos desde que Adam Smith publicou A Riqueza das Nações. As questões que ela procura responder, no entanto, aquelas que envolvem pessoas, trocas e riquezas, escassez e abundância, cooperação e conflito, existem desde os primórdios da história humana. Eu particularmente acho extremamente interessante constatar como os dilemas com os quais lidamos hoje, quando discutimos seleção adversa em um mercado de seguros ou o problema do carona em um acordo climático, já apareciam, com outra linguagem e outras vestimentas, nas páginas do Talmud e nas leis da Torá. É nessa ponte que Fabio se detém neste livro, e o faz com sagacidade e sensibilidade. Ao colocar lado a lado conceitos modernos da ciência econômica e a sabedoria milenar judaica, ele nos lembra, ao mesmo tempo, duas coisas importantes. A primeira é que a natureza humana permaneceu essencialmente a mesma desde a Criação, e que as perguntas fundamentais sobre justiça, confiança, tempo e valor são verdadeiramente universais. A segunda é que tanto a economia quanto a tradição judaica, cada qual à sua maneira, tratam da mesma matéria-prima: a vida humana em comunidade. Ao percorrer os capítulos deste livro, o leitor terá também a oportunidade de exercer aquilo que é, talvez, uma das práticas mais características da cultura judaica, a de debater com a escritura. A palavra hebraica Israel significa “aquele que duelou com Deus”, e o livro do Gênesis nos conta que é desse embate com o divino que nasce o próprio povo. Estudar os textos judaicos nunca foi um exercício de aceitação passiva, mas sempre um diálogo vivo, um debate que se desdobra através das gerações. Fabio abre, nessas páginas, mais uma oportunidade para esse encontro, colocando textos antigos em conversa com ideias contemporâneas e convidando o leitor a participar ativamente desse diálogo

















