A Pacem in Terris , publicada em 11 de abril de 1963 pelo Papa João XXIII , é uma encíclica histórica e inovadora, considerada um marco na Doutrina Social da Igreja Católica . Seu título, em latim, significa "Paz na Terra", e ela foi escrita em um contexto de tensão global durante a Guerra Fria, logo após a Crise dos Mísseis de Cuba (1962), que trouxe o mundo à beira de um conflito nuclear. Única por ser dirigida não apenas aos católicos, mas a "todas as pessoas de boa vontade", a encíclica reflete a visão pastoral de João XXIII de promover diálogo e unidade em um mundo dividido.
A Pacem in Terris afirma que a paz verdadeira só pode ser alcançada por meio da justiça, fundamentada na ordem moral estabelecida por Deus. Ela estrutura seus ensinamentos em torno de quatro pilares: relações entre indivíduos, entre indivíduos e Estados, entre Estados, e entre a comunidade global e as nações. A encíclica detalha direitos humanos universais, como o direito à vida, liberdade, educação, trabalho digno, liberdade religiosa e participação política, enfatizando que esses direitos implicam deveres correspondentes, como respeitar os outros e contribuir para o bem comum. Rejeita desigualdades baseadas em raça, classe, gênero ou nacionalidade, defendendo a dignidade inerente a cada pessoa.
O impacto da Pacem in Terris foi profundo. Publicada pouco antes da morte de João XXIII, ela influenciou a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, movimentos pelos direitos civis e iniciativas de paz durante a Guerra Fria. Sua abordagem universal e inclusiva a tornou uma referência em debates éticos e políticos, inspirando líderes como Martin Luther King Jr. e organizações humanitárias. A encíclica permanece relevante em discussões contemporâneas sobre direitos humanos, justiça global, desarmamento e resolução de conflitos, consolidando o legado de João XXIII como um profeta da paz.